Amanda Zecchin
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Intensidade não é falha de fábrica

“Por anos disseram que sentir demais era um problema. Hoje desconfio: talvez seja a única forma honesta de existir.”

Ensaio nº 02/7 min de leitura
Caderno e café à luz natural — atmosfera quente e contemplativa
Desejo · Excesso · Honestidade

O que é intensidade para você?

Às vezes eu penso que intensidade é a própria vida. Porque viver exige intensidade. É preciso intensidade para suportar a rotina, atravessar o caos silencioso dos dias, continuar mesmo quando tudo pesa.

Outras vezes, penso que intensidade está ligada às pessoas que sentem muito. Pessoas que vivem tudo em excesso — o afeto, a dúvida, o medo, a vontade, a ausência.

Também me pergunto se intensidade tem relação com desejo. Porque tudo aquilo que eu quero parece vir carregado de intensidade. E tudo aquilo que é intenso, inevitavelmente, ocupa espaço dentro de mim.

“Tudo aquilo que é intenso, inevitavelmente, ocupa espaço dentro de mim.”

Existem momentos em que eu me critico por ser assim. Tenho vontade de sentar comigo mesma e dizer:

‘Querida, desacelera. Seja menos. Espere menos. Deseje menos.’

Mas existem outros momentos em que eu agradeço profundamente por nunca ter conseguido ser rasa.

Foi justamente a intensidade que me permitiu alcançar coisas que pareciam impossíveis.

Foi ela que me manteve viva emocionalmente quando seria mais fácil anestesiar tudo.

“Eu agradeço profundamente por nunca ter conseguido ser rasa.”

No fim, eu não sei exatamente se intensidade é virtude ou excesso.

Talvez ela seja apenas uma forma honesta de existir.

Tem dias em que ela transborda. Tem dias em que ela se recolhe. Mas ela sempre permanece.

E talvez essa seja a única certeza.

Intensidade não é falha de fábrica.

É, talvez, a única forma honesta de existir.